Eu preciso começar dizendo uma coisa importante: Eu já não sou fã de comida japonesa no Brasil (não me julguem).
Vou apelar para o clássico 'quem me conhece sabe' e dizer que NUNCA, nunquinha essa culinária me atraiu e obviamente que sempre achei que talvez, visitando o Japão, eu pudesse ter uma experiência diferente.
Mas se me fizerem escolher entre sushi e um churrascão… eu nem penso duas vezes, hahahaha.. 🥩
Então talvez eu já tenha ido para o Japão com o coração dividido entre a certeza do que já sabia sobre a culinária, e o medo de arriscar, mesmo com algo láááá no fundo dizendo que 'lá vai ser diferente'.
Spoiler: foi o contrário!
Porém, se você ama comida japonesa no Brasil, talvez precise se preparar antes de comer no Japão, sério! E apesar de estarmos falando do berço do sushi, do ramen, do sashimi, a experiência pode ser terrível. E nem estou dizendo que a comida é ruim, sem ofensas tá? Só estou dizendo que ela pode ser muito... Japonesa. 😅
#O Japão não adapta o paladar para você
No Brasil, o que a gente chama de “comida japonesa” é, na verdade, uma versão adaptada ao nosso gosto. Mais molhos, mais cream cheese, mais empanado, mais doce, mais exagero. É sabido que as comidas ficam muito mais ocidentalizadas para serem vendáveis aqui, para que não haja estranhamento.
É como se fosse uma releitura assim como acontece com a pizza italiana, que aqui ganha todos esses molhos e sabores diferentes, recheios, bordas.. ou com o hambúrguer americano, que aqui reformulamos para algo bem mais brasileiro e falamos que é artesanal, com todas aquelas variantes de maionese, carnes e pães.
Isso é readaptação cultural.
Só que, lá no Japão, o choque foi ainda maior.
Os sabores foram muito mais intensos, a comida respeita a tradição, o modo de preparo, usam ingredientes da temporada e em muitos estabelecimentos, eles pescam o peixe bem na sua frente, fatiam e jogam no seu prato, assim, sem aquecimento, sem lavar, e a gente fica com a sensação de que está comendo o bicho vivo e com o coração ainda pulsando (tá morto, né? Mas é tão fresco que assusta).
(Comi esse prato em uma excursão e, para os adoradores de comida japonesa, estava impecável, segundo eles. O que posso julgar é a apresentação, já que não tenho parâmetros, e estava sim incrível!)
Eu realmente achei que, por ser o lugar original, eu finalmente entenderia o encanto.
Não aconteceu, sorry!
#Expectativa x realidade
Saí do barco com a expectativa de me apaixonar pela culinária deles também, assim como tantos outros brasileiros e, apesar de achar incrível o fato de comerem tudo muito natural e em porções minúsculas, é uma experiência bem pesada.
No Brasil tem cream cheese, tem hot roll, tem molho agridoce, tem versões quentes. A gente consegue até pedir coisas empanadas e mais ocidental, existem adaptações. No Japão, não.
(Essa aqui é a sopa tradicionalmente japonesa, e não, não ficaria satisfeita com ela jamais! Ao meu ver, é só água morna, uma raiz forte e cebolinha. Sem sabor, sem textura e sem graça. Mais uma vez, não se sintam ofendidos.)
Lá você vive a real experiência de entrar em restaurantes e sequer encontrar sushi, já que não é o que eles comem diariamente nas suas casas e me passou a impressão de ser uma comida mais voltada para estrangeiros. Lá, em todas as experiências que tive durante as excursões, era comida tradicional japonesa, com peixe cru com sabor forte (e cheiro), textura que você sente completamente, prato frio. É comida que já vai pra mesa exatamente como foi preparada, sem aquela ideia de “vamos dar uma esquentadinha”.
E pra quem já não ama peixe cru… isso pesa!
Como já citei alí em cima, é tão fresco que contamina o ambiente com o cheiro forte e os estabelecimentos possuem um cheiro bem específico que não sei explicar. Sinto ânsia até de passar em frente.
#A excentricidade dos restaurantes
Uma coisa que me chamou muita atenção no Japão foi o quanto os restaurantes são chamativos. Sempre com muitas cores, mascotes, pratos gigantes da comida principal bem na fachada.. é tanta informação que parte da experiência de comer já começa alí mesmo, na calçada.
A gente vai caminhando na rua e vendo vitrines cheias de pratos expostos do lado de fora e em tamanho real do que será servido (A lei local exige que, ao exibirem os pratos ou reproduzirem imagens dos alimentos, eles sejam feitos em tamanho real. Tipo em um pacote de biscoitos, a bolacha exibida na embalagem deve ter exatamente o mesmo tamanho do que encontraremos dentro). Mas não são fotos, são réplicas extremamente realistas das comidas, feitas em resina.
Sushi, ramen, tempura, sobremesas… tudo ali, montado como se estivesse pronto para ser servido.
À primeira vista, parece até um pouco excêntrico para quem vem do Brasil. Afinal, aqui estamos acostumados a olhar um cardápio ou ver fotos discretas (ou ãs vezes nem isso). Lá, muitas vezes a comida praticamente “te chama” da calçada.
Mas existe uma razão prática para isso e que eu achei bem útil: Essas réplicas ajudam as pessoas a entender exatamente o que estão pedindo, tendo em vista que é um país que está com o turismo bem em alta e a maioria não falam japonês. E sim, gente, até mesmo o tradutor traduz errado e muitas vezes é impossível fazê-los entender o que estamos tentando pedir (a maioria não fala inglês, o que dificulta muito!).
Além disso, os restaurantes também apostam em placas enormes, cores fortes, lanternas, luzes e fachadas bem características. É quase impossível passar sem notar. E o cheiro busca as pessoas do lado de fora e pra quem ama a culinária deles, é uma experiência sensorial incrível!
Para quem está andando pelas ruas, escolher onde comer acaba sendo uma experiência bem visual. Você olha a vitrine, vê os pratos expostos, avalia se aquilo te atrai… e só então decide entrar.
(Aqui é a foto de um restaurante de fast food onde eles pedem e comem alí mesmo, de pé, para conseguirem voltar correndo ao trabalho)
Mesmo não sendo muito fã da comida japonesa, confesso: essa forma de apresentar os restaurantes torna tudo mais curioso e até divertido para quem está explorando a cidade. E eu, enquanto turista, me senti acolhida ao ter que escolher um prato que eu não fazia ideia do que era. Não que eu tenha acertado no pedido, mas foi possível pelo menos tentar, hahahaha...
#Nem melhor, nem pior. Apenas diferente.
Hoje posso dizer com toda a convicção, depois de duas temporadas de contrato no Japão, que eu e a culinária japonesa não nascemos um para o outro, rsrsrs..
Lá eles valorizam sentir o sabor puro do alimento sem nenhuma interferência de calor, de tempero, alho, sal.. e meu paladar é o extremo oposto. De todas as vezes que comi, eu sequer me senti saciada pois meu cérebro sequer reconhecia aquilo como alimento, sabe?
Esperei ter uma revelação gastronômica e por isso experimentei tudo o que me foi apresentado. E para ser justa, apenas uma coisa me encheu os olhos, que foram os espetinhos de carne de caranguejo rei vendidos nas ruas de Dotonbori, em Osaka. Mas porque eram assados e o sabor é familiar, já que amo caranguejo.
No fim, viajar também é isso: perceber que o mundo é enorme e que nem tudo vai combinar com você.
Eu preciso começar dizendo uma coisa importante: Eu já não sou fã de comida japonesa no Brasil (não me julguem).
Vou apelar para o clássico 'quem me conhece sabe' e dizer que NUNCA, nunquinha essa culinária me atraiu e obviamente que sempre achei que talvez, visitando o Japão, eu pudesse ter uma experiência diferente.
Mas se me fizerem escolher entre sushi e um churrascão… eu nem penso duas vezes, hahahaha.. 🥩
Então talvez eu já tenha ido para o Japão com o coração dividido entre a certeza do que já sabia sobre a culinária, e o medo de arriscar, mesmo com algo láááá no fundo dizendo que 'lá vai ser diferente'.
Spoiler: foi o contrário!
Porém, se você ama comida japonesa no Brasil, talvez precise se preparar antes de comer no Japão, sério! E apesar de estarmos falando do berço do sushi, do ramen, do sashimi, a experiência pode ser terrível. E nem estou dizendo que a comida é ruim, sem ofensas tá? Só estou dizendo que ela pode ser muito... Japonesa. 😅
#O Japão não adapta o paladar para você
#Expectativa x realidade
Lá você vive a real experiência de entrar em restaurantes e sequer encontrar sushi, já que não é o que eles comem diariamente nas suas casas e me passou a impressão de ser uma comida mais voltada para estrangeiros. Lá, em todas as experiências que tive durante as excursões, era comida tradicional japonesa, com peixe cru com sabor forte (e cheiro), textura que você sente completamente, prato frio. É comida que já vai pra mesa exatamente como foi preparada, sem aquela ideia de “vamos dar uma esquentadinha”.
E pra quem já não ama peixe cru… isso pesa!
Como já citei alí em cima, é tão fresco que contamina o ambiente com o cheiro forte e os estabelecimentos possuem um cheiro bem específico que não sei explicar. Sinto ânsia até de passar em frente.
#A excentricidade dos restaurantes
Uma coisa que me chamou muita atenção no Japão foi o quanto os restaurantes são chamativos. Sempre com muitas cores, mascotes, pratos gigantes da comida principal bem na fachada.. é tanta informação que parte da experiência de comer já começa alí mesmo, na calçada.
A gente vai caminhando na rua e vendo vitrines cheias de pratos expostos do lado de fora e em tamanho real do que será servido (A lei local exige que, ao exibirem os pratos ou reproduzirem imagens dos alimentos, eles sejam feitos em tamanho real. Tipo em um pacote de biscoitos, a bolacha exibida na embalagem deve ter exatamente o mesmo tamanho do que encontraremos dentro). Mas não são fotos, são réplicas extremamente realistas das comidas, feitas em resina.
Sushi, ramen, tempura, sobremesas… tudo ali, montado como se estivesse pronto para ser servido.
À primeira vista, parece até um pouco excêntrico para quem vem do Brasil. Afinal, aqui estamos acostumados a olhar um cardápio ou ver fotos discretas (ou ãs vezes nem isso). Lá, muitas vezes a comida praticamente “te chama” da calçada.
Mas existe uma razão prática para isso e que eu achei bem útil: Essas réplicas ajudam as pessoas a entender exatamente o que estão pedindo, tendo em vista que é um país que está com o turismo bem em alta e a maioria não falam japonês. E sim, gente, até mesmo o tradutor traduz errado e muitas vezes é impossível fazê-los entender o que estamos tentando pedir (a maioria não fala inglês, o que dificulta muito!).
Além disso, os restaurantes também apostam em placas enormes, cores fortes, lanternas, luzes e fachadas bem características. É quase impossível passar sem notar. E o cheiro busca as pessoas do lado de fora e pra quem ama a culinária deles, é uma experiência sensorial incrível!
Para quem está andando pelas ruas, escolher onde comer acaba sendo uma experiência bem visual. Você olha a vitrine, vê os pratos expostos, avalia se aquilo te atrai… e só então decide entrar.
Mesmo não sendo muito fã da comida japonesa, confesso: essa forma de apresentar os restaurantes torna tudo mais curioso e até divertido para quem está explorando a cidade. E eu, enquanto turista, me senti acolhida ao ter que escolher um prato que eu não fazia ideia do que era. Não que eu tenha acertado no pedido, mas foi possível pelo menos tentar, hahahaha...
#Nem melhor, nem pior. Apenas diferente.
Hoje posso dizer com toda a convicção, depois de duas temporadas de contrato no Japão, que eu e a culinária japonesa não nascemos um para o outro, rsrsrs..
Lá eles valorizam sentir o sabor puro do alimento sem nenhuma interferência de calor, de tempero, alho, sal.. e meu paladar é o extremo oposto. De todas as vezes que comi, eu sequer me senti saciada pois meu cérebro sequer reconhecia aquilo como alimento, sabe?
Esperei ter uma revelação gastronômica e por isso experimentei tudo o que me foi apresentado. E para ser justa, apenas uma coisa me encheu os olhos, que foram os espetinhos de carne de caranguejo rei vendidos nas ruas de Dotonbori, em Osaka. Mas porque eram assados e o sabor é familiar, já que amo caranguejo.
No fim, viajar também é isso: perceber que o mundo é enorme e que nem tudo vai combinar com você.
E tá tudo bem.
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