Nanortalik, na Groenlândia: como é visitar uma das cidades mais isoladas do planeta



Se você nunca ouviu falar em Nanortalik, não se preocupe! Eu também nunca tinha escutado falar até embarcar como tripulante em um navio de cruzeiros.


Essa pequena cidade no extremo sul da Groenlândia parece saída de um documentário: as casinhas são coloridas espalhadas entre montanhas, icebergs navegando lentamente no mar e um silêncio que dá a sensação de que o tempo passa mais devagar. É uma paz absoluta e um misto de curiosidade êxtase inexplicável! e mesmo no verão, as temperaturas ainda são frias, em torno de 12 graus celsius e é necessário ir de jaqueta sim.


Eu tive a oportunidade de visitar Nanortalik enquanto tripulante de navio navio de cruzeiros, e foi uma daquelas paradas que surpreendem justamente por serem tão remotas e autênticas. O navio, antes de chegar lá, ficou parado em alto mar por aproximadamente 7 horas aguardando uma onda de icebergs passar por nós e foi a coisa mais linda do mundo! Todos os tripulantes e passageiros vieram apreciar a vista no deck 7 e tirar fotos incríveis! Junte-se a isso o avistamento de baleias, que deixou o cenário ainda mais surreal! 


Se você está planejando passar por lá (ou simplesmente tem curiosidade sobre um dos lugares mais isolados do planeta), aqui vai um guia com o que esperar da cidade.

#Onde fica Nanortalik


Nanortalik fica no sul da Groenlândia, a cerca de 100 km ao norte do Cabo Farewell, o ponto mais ao sul da ilha. A cidade tem pouco mais de 1.000 habitantes e está localizada em uma pequena ilha cercada por fiordes, montanhas e geleiras impressionantes! E apesar de parecer pertinho na imagem, nosso itinerário de navio saiu da Islândia e navegamos por cinco dias e meio até conseguirmos chegar aí.


O nome "Nanortalik" significa "lugar dos ursos polares" em groenlandês, embora hoje seja raro vê-los na região. Apesar de pequena, a cidade é um ponto importante para quem explora o sul da Groenlândia e é simplesmente incrível conhecer uma área tão remota do planeta.

#Como chegar

A maioria das pessoas conhece Nanortalik através de navios de cruzeiro de expedição ou cruzeiros normais, de turistas. Muitas companhias têm itinerários para o destino, porém, a NCL é a mais conhecida por ter itinerários mais inusitados e diferentes do convencional.


Navios maiores normalmente não docam, pois o porto é bem pequeno, ficando o desembarque feito através de tenders (barcos menores) que levam os passageiros até o pequeno porto da cidade. E meus amigos, é uma operação extremamente desgastante, complicada e que demanda muitas horas até desembarcarem todos os passageiros (furiosos com horas do dia perdido).



Outra forma de chegar é através de helicóptero ou barcos regionais vindos de outras cidades da Groenlândia, mas isso geralmente faz parte de rotas locais e não há como acessar dessa forma se você já não estiver alí pela Groelândia.



#Como é a cidade

A primeira coisa que chama atenção em Nanortalik são as geleiras e icebergs durante o trajeto até a cidade, e depois de chegar, são as casinhas coloridas espalhadas pela paisagem. 



Junto à isso, as baleias saltando, acompanhando o navio e dando aquele show, deixam tudo ainda mais surreal de viver. É uma experiência indescritível! Tudo na cidade parece pequeno e tranquilo: poucas ruas, quase nenhum carro (só vi o carro dos operadores de turismo que estavam no porto para fazer as excursões), silêncio absoluto e nem sequer o barulho de natureza viva é audível.


Apenas o nada e o vento, além dos moradores simpáticos e curiosos que aparecem na rua para apreciar a chegada de tanta gente ao mesmo tempo (em um navio da NCL, por exemplo, são em média 2.600 passageiros. Ou seja, todas essas pessoas mais 3/4 de tripulantes que visitarão a pequena cidade, ao mesmo tempo.



Caminhar pela cidade é quase como visitar um vilarejo de outro século, ao mesmo tempo que nos desperta a curiosidade de ver por dentro das casinhas, de conversar, saber como vivem, o que comem, como é enfrentar uma temporada de inverno e etc.

#O que fazer em Nanortalik

Mesmo sendo pequena, há algumas experiências interessantes para quem visita a cidade. Se você agendar excursão com operadores locais (raros de encontrar), muito provavelmente será fazer trilha, pescaria ou ver icebergs. Porém, para quem fica na cidade para visitar por conta, essas são as coisas que conseguirão fazer:

1. Visitar o Museu de Nanortalik


O Nanortalik Museum é uma das atrações mais interessantes da cidade. Ele fica em um conjunto de casas coloniais antigas e distante do porto cerca de 20min caminhando. Lá é possível conhecer a história da colonização dinamarquesa, cultura Inuit, ver as roupas tradicionais, ferramentas de caça e pesca, bem como os tipos de embarcações. É uma ótima forma de entender como é viver em um lugar tão isolado e como eles evoluíram até aqui.


2. Caminhar pela cidade

Nanortalik é perfeita para simplesmente caminhar sem rumo. A cidade já fica bem em frente ao local de desembarque e você só precisa caminhar livremente nas ruas apreciando casinhas coloridas, barcos ancorados, se for inverno, verá alguns trenós, cães para dog slide e só. Dificilmente encontrará pessoas caminhando nas ruas além dos turistas que chegam. deu uma impressão de ser realmente bem inóspito e, por ser frio, as pessoas passam o tempo fazendo atividades em casa ou em estabelecimentos fechados.



E sempre com o cenário impressionante das montanhas ao redor, das flores (fui na primavera), da paz e do silêncio predominante.



3. Conhecer os estabelecimentos da cidade

Tudo fica pertinho e em 30 minutos de caminhada você já terá visto a cidade toda! Só existe uma rua principal para o centro da cidade, sem prédios e apenas com os pricipais estabelecimentos necessários para uma pequena comunidade se desenvolver. Ou seja, Nanortalik é um destino para aquele tipo de turista que já conheceu os principais destinos do mundo e tem um espírito aventureiro o suficiente para vivenciar culturas e locais irreverentes, fora do convencional.

3.1 A única lojinha de roupas que encontrei no caminho



3.2 O único posto de gasolina da cidade




3.3 Loja de lembrancinhas



3.4 Supermercado 

Fui lá comparar a base de preços, como uma boa dona de casa, hahahaha. Brincadeiras a parte, quase caí pra trás! Os valores são absurdamente caros e abaixo eu deixei um exemplo pra você.






3.5 Centro Comunitário



A cidade é perfeita para trabalhar a pé, possui trilhas fáceis de caminhar, vistas impressionantes, fjords, icebergs bem em frente boiando no mar e o cenário parece saído de um filme, é surreal!

#Como é o clima

A maioria dos cruzeiros visita Nanortalik no verão do hemisfério norte ou na primavera, pelas temperaturas mais brandas.  Mesmo assim, as temperaturas costumam ficar entre 5 °C e 12 °C e mesmo assim, ainda sente-se um friozinho com vento que faz a sensação térmica cair mais ainda.



Além disso, quando faz em torno de 13 °C, aparecem milhares de milhões de mosquitos que ficam voando no rosto da gente, entrando na boca, batendo nos olhos e é extremamente recomendado que levem aqueles véus de apicultor. Na vila os moradores usam isso e em raríssimas excessões, eles aparecem pra vender no porto, mas definitivamente não contem com isso. Acredite em mim, é irritante e você não vai aguentar caminhar e conhecer com uns 1k mosquitos voando no seu rosto incansavelmente.


O vento pode ser forte, então vale levar:

  • casaco corta-vento pois a sensação térmica é menor;

  • roupas térmicas pois os clima varia muito rapidamente;

  • gorro e luvas;

  • chapéu com véu de apicultor.


No Ártico, o clima muda rápido e é melhor estar preparado pois não haverá lugar para comprar quase nada disso e se achar, não terá muitas opções, muito menos será barato.


#Curiosidades sobre Nanortalik

Alguns fatos interessantes sobre a cidade:

  • A região é famosa por paredões gigantes de escalada, considerados alguns dos maiores do Ártico e é comum ver alpinistas passando de um lado para outro saindo da cidade;

  • A pesca é uma das principais atividades econômicas e logo no píer já conseguimos ver muitos barquinhos locais com redes e aparatos;

  • O isolamento é real: em muitas épocas do ano, o acesso só acontece por barco ou helicóptero, bem como não existem estradas ligando uma cidade à outra. Eles costumam usar boat taxi e quando uma mulher está gravida, os médicos sempre sugerem que mudem para o continente ou Nuuk, que é mais desenvolvido;

  • Apesar de pequena, a cidade é uma parada frequente em expedições polares e existem expedições em que os passageiros conseguem ir de barco até pertinho dos icebergs e tocar neles;

  • Não há uma infraestrutura robusta nem estradas conectando cidades, e é isso o que faz o lugar tão especial;

  • Para quem ama destinos diferentes, é uma parada inesquecível e um dos lugares mais remotos do planeta, cercado por uma natureza bruta e muito provavelmente nunca explorada.. simplesmente surreal!



Se você gosta de descobrir destinos diferentes pelo mundo, continue acompanhando o Blog da Sah. Aqui eu compartilho experiências reais de lugares que conheci trabalhando em navios de cruzeiro e muitos deles, fora das rotas tradicionais.

#Sugestão de Atividade:


Powered by GetYourGuide
Postar um comentário

Comentários